quarta-feira, 16 de março de 2011

Amor miudeza

                                     (ao  miúdeza)

Nossas pequenas miudezas...

miudezinhas,
ficam aqui trepidando
tão fortes.

Miudezinhas, miudezinhas...
conduzem sempre
ao secreto nós,
onde há desde a estridente gargalhada
ao silêncio profundo do olhar.

Miúda grandeza.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre a saudade

                                                 ( há sempre o sentir falta que tanto espaço ocupa)

Percorro o exílio

Próprio do homem,
Exílio geográfico
Que torna tão absurdamente presente
           A ausência

Por momentos perco a compostura,
e desprendo a carapaça.

Percorro o exílio
Próprio do homem.
Expulso do paraíso
Impelido a viver
Exilado em si
Levando a vida
nos dois ombros.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pequena crônica poética - Pouso da Penha

Certas cidades,
Guardam as coisas pequenas
Extremamente raras que devido ao cataclisma moderno
Seguem cada vez mais rumo à extinção por falta de uso.
Há por isso sempre um susto
Em retirar aquela grande chave
Por debaixo da porta

Abrir,
Fechar,
Entrar
e novamente colocar na frestinha.

Assim permanecem as portas sempre abertas.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Oração silenciosa

Sussurro no ouvido de Deus,

Porque pequena que sou,
Admiro-me com as grandezas do mundo
Com a dor do mundo.
Sussurro no ouvido de Deus.
Sem conseguir alcançar seus mistérios.

Quando todo meu ser,
deleita o dom
de sentir a vida
com toda gama de cores existentes.
[das frias ás vibrantes]
do riso frouxo a lágrima estridente
todo antagonismo de viver.

É Deus sussurrando
de volta.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Origem do fado

Em mim tantos resquícios dela,
[Dela que germinou em seu ventre]
Então quando o fado causa arrepios

Relembro da origem desse alumbramento
Ela achava as falas do português matriacal lindas.
Envaidecida com o cantor.

Quando as partes do meu ser
tocam com o fado
foi por aprendizado sonoro.



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

MUTISMO POÉTICO

As urgências da vida
Encheram meus poros.
A palavra cá dentro
Endureceu.

Poesia em prisão de ventre

A poesia lá dentro presa.
Num estado de profunda mudez.
E sobre todas as coisas a poesia gritaria...
Estática sou quando não grito na poesia,
Não ao verso,
Não à cada letra
Não à cada ponto e virgula.

Poesia em prisão de ventre,
Sem causa nem motivo aparente.

A falta da poesia
Em mim,
Olhos abertos
e total cegueira.

  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...