segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Aula de cardiologia


                             ( um Tum-tá de agradecimento)

Tum-tá-tum-tá.....
Auscultam-me

 samba cardíaco

ampliação estetóscopica
o breve sopro.


E assim um samba cardíaco cadenciado.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dicionário animal

Aleluias vocejam
Na luz.
Se escuro | asas se fecham
                               em vôo decadente.
se luz?
                               oh ! aleluia!

Se aleluia,
o sapo estira a língua,
asas se partem.

                               Noite escura

                               Insondável partitura musical.

Pequena Crônica Poética – rio dourado

                                  ( em Pilar de Goiás)
O rio oculto,
trouxe nos seus veios
metal dourado

Lavrou a cidade.

Lavrou o homem.

Do dourado áureo ao pastel esmaecido.
Silêncios.
Almas vacantes pendulam com o sino.


domingo, 29 de setembro de 2013

É fato estou em crise em um estado balzaquiano. Então alguém faz pular essa data de aniversário por gentileza. E o calendário a sacar sarcástico, suas folhinhas, se desnudando cada vez mais e ainda pisca pra mim. Lembro-me que algum tempo atrás não me parecia sofrido fazer aniversário, quando criança tinha tantos ciúmes (uma invejazinha admito) das fotos de festinhas de aniversário dos meus irmãos, mas por agora desejava que o calendário não tivesse o dia fatídico.
Esse estado ansioso de ser desponta sempre do projeto antigo de como estaria e de como de fato me encontro, novamente esse embuste do sucesso, e eu digo, esforço minhas lentes para ver os ângulos diferentes, mas novamente eu caio no abismo. Sabe a foto sorridente da mulher linda, extremamente realizada na profissão, eficiente nos seus diversos papéis havia uma crença que eu seria ela. Essa busca de atingir os altos patamares de exigência que ao final nem são meus, me põem em estado de uma busca eterna tão exaustiva e sem sentido.
                A mulher sorridente, ciente de sua eficácia, se desmancha no ar. Talvez seja bom, ela não sou eu, espero que a nova foto saia mais leve, sem amarras e mais verdadeira.
                Encontrei Elizabeth Bishop, foi reconfortante saber que sua natureza titubeante também mergulhou nesse mar profundo da busca do sentido de viver.
“ Incapaz de definir o que fazer de si mesma, decidiu pegar um navio e simplesmente ir indo mar afora, sem destino certo. Só. Já que só estava.
Durante a viagem, fechada em sua cabina, perguntava-se o que queria da vida afinal.
Tinha 40 anos.
Queria escrever. Queria ganhar dinheiro. Queria ter amigos. Queria acreditar que o amor pudesse a voltar a acontecer em sua vida.” ( Flores raras e banalíssimas. A história de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop)

sábado, 12 de janeiro de 2013

Diálogos intermitentes


                                                               | sobre essa estranha mania de falar sozinho |


Quando o silêncio alcança altos decibéis,
             Totalmente insuportáveis aos corações humanos.

Nós inventamos o outro,
              e são muitas as naturezas:
             animal, pétreo, virtual
             há até quem fale consigo mesmo.
             e outros ainda dedilham nas letras o silêncio da solitude.

Somos tão ínfimos
Não bastamos em nós mesmos,
Mas detemos a imaginação...

E a senhora, minha vizinha clama a sua gata
- Zuli sua égua véia vai durmir 
E o bichano atente prontamente. 

Uma coletânea

O Desacanhamento poético virou um pequeno ebook... tentei organizar a produção ao longo desses dez anos! É algo pequeno, mas uma forma de ...