sábado, 12 de janeiro de 2013

Diálogos intermitentes


                                                               | sobre essa estranha mania de falar sozinho |


Quando o silêncio alcança altos decibéis,
             Totalmente insuportáveis aos corações humanos.

Nós inventamos o outro,
              e são muitas as naturezas:
             animal, pétreo, virtual
             há até quem fale consigo mesmo.
             e outros ainda dedilham nas letras o silêncio da solitude.

Somos tão ínfimos
Não bastamos em nós mesmos,
Mas detemos a imaginação...

E a senhora, minha vizinha clama a sua gata
- Zuli sua égua véia vai durmir 
E o bichano atente prontamente. 

sábado, 3 de novembro de 2012

A origem poética


                 ( inspirado em Ferreira Gullar para Paulinha Tavares)
                         
Poesia é espantamento,
espanto de todas as naturezas
              que o homem carrega.
              todos os sinônimos e antônimos.
E o poeta pergunta porque serão fados os versos?
             as tristezas amofinam o corpo | destilação instantânea.

Se fado sempre | poeta se enfarda .

            Alegria é tão brejeira
           que o corpo se alarga | destilação de difícil captura.

Se alegria brejeira | poeta estira na rede.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pequena crônica poética - Cidade solitude


As montanhas fecham a cidade
eu me fecho por entre as casas baixas
na mais completa solitude
em  diálogos imaginários.
Na cidade solitude habito sempre o  meio,
no espaço reduzido da quadricula quarto
a vida alheia invade tênues demarcações do território.
Espreito as domesticidades vizinhas
ciente de pairar por sobre as coisas da pálida cidade.
por sorte na cidade solitude é possível abrir a fenda em si mesmo,
com toda a dor.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sobre as secas e agostos


Agostos ácidos,
com a terra abrindo-se em veios,
colorindo o céu de ocre,
sob tempestades vermelhas.
O verde esmaecido,
Todas as naturezas derretem
na torridez do sol,
amarelos, roxos
irrompem por sobre o ocre,
em meio ácido.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Linguística


Eu trago uma língua que roça
a garganta,
consoante espremida pela glote
todas as vezes vibra no ar com mansidão
a língua roça;
por vezes volteia
faz tudo ficar assim miúdim...

A língua que roça
faz certos jeitos no sentir,
que se emaranhou em mim.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Fuga




Sobre a mesa,
Contas, extratos de banco, escritos, livros concretos, coisas inacabadas, deveres, listas,  tudo tão útil.

Na rua,
Volúpia poética
Coabitando com o inacabado.
em estado de euforia.

  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...