quinta-feira, 25 de março de 2010

Alargar de mim

O passar dos anos
corrói minha matéria,
esta que sinto com
meus dedos,
vai deixando vestígios.
Ao mesmo tempo
que alarga
o que dentro tenho,
em meus outubros
descubro certas coisas,
certos ângulos
que destemperadamente
abrem um sorriso,
ou uma lágrima,
ou não sei ao certo,
não sou eu quem controla
me surgem.

O alargamento de mim,
faz com que os
tempos
se misturem,
de forma
que em certos momentos,
as lembranças
sucumbem diante de seu peso,
é quando arrebenta
a vontade de continuar
de forma imutável
e a impossibilidade de fazê-lo,

é só o alargamento em mim,
que me faz muda
,diante das circunstâncias
previsíveis e incompreensíveis,
a todos homens e mulheres.

Crisálida ao contrário

O frágil inseto vibrava
suas
asinhas

as rajadas
tilintavam
em meus
ouvidos.

me apiedei
da incansável
tentativa de fuga
através
do vidro.

Do que me pinto

Estes vermelhos
que me pintam
são parte
da volúpia,
em si
sacrossanta.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fadigamento

                               Á Carlos Drummond de Andrade, em O peso do mundo
Existem dias de cansaço puro
o peso do mundo ele
todo nos ombros
que já em estado de resignação
adquiriram esta curvatura
tempos de sequidão,
de se sentar atrás da mesa
e comodamente
“tecer o árduo trabalho”
porque em absoluto
é a fatia maior
das horas,
e o pouco que
sobra
se reduz
a fadiga
improdutiva.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Parasitagem ao reverso

(para Henrique Vitorino)

A sua poesia
maleável
toda feita
de dobras
exercício
de quem
esculpe
a palavra
o verso
expõe
o poema
ele mesmo
ao máximo
de sua resistência.
um eu - lírico
múltiplo
de natureza.

O leitor
move
gira
penetra
nas
facetas
e
reentrâncias
poéticas.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Tratado do existir

Só sei existir quando me parto,

para enfim ser possível transfigurar
só sei existir quando parte de mim,
es ca pa a a a
sublima a a a

Em estado de sublimação,
sou livre.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Louca

Porque de tempos
em tempos,
os anelos
me tomam,
o corpo ondula solitário
na música.

São os anelos rompidos
que ajudam a carregar
a severidade da vida

  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...