terça-feira, 7 de junho de 2016

Pequena crônica poética – a cidade do som

Esta não é uma cidade para se guardar pelos olhos.
Amar pelos olhos é fácil.
A cidade de dois rios, uma linha e relevo intumescente
será guardada pela exceção:
o som metálico da máquina a mover-se pelos trilhos.
Música do deslocamento.
À noite quando em estado insone,
posso ouvir.
Por vezes o som mistura-se nos sonhos,
É meu desvario libertar o som

Torná-lo incorpóreo. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Fármaco poético

( Para Dalton Castro)

Toda poesia é uma tentativa:
recorrente de esvaziar um tanto de si,
agitar os sedimentos depositados no fundo.
Por que se escreve?
Necessidade vital de burilar a palavra
pra sair figurinhas cheias de insignificâncias.
Há as vezes cansaço
burilar a palavra ocupa muita parte do tempo,
é preciso se esforçar para não esquecer,
tem horas que se quer esquecer e não se pode,
tem horas que se quer lembrar mas já passou
e o que ficou é um vago esboço do que se pretendia.
tem horas em que se quer largar mas a coisa vai crescendo
e você não presta pra mais nada,
daí a coisa sai em qualquer lugar, as vezes como um borrão.
Pode ser da poesia, ser um tanto terapêutica.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Poemeto sobre o dia a dia

Cada dia a casa se faz,
mais lar
com as invariáveis pistas de que há moradores
na cozinha, sala, quartos e banheiro.
Miudezinhas cotidianas
o sentir que se amplia para caber no limite do abraço.


Apreender um tanto de si e do outro todos os dias.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lições poéticas - do lugar da poesia

“ Porque a maneira de reduzir o isolado que somos dentro de nós mesmos, rodeados de distâncias e lembranças é botando enchimento nas palavras.”
Manuel de Barros – Lides de campear


Poesia sai do oco das gentes.
de forma que nasceu com a humanidade. Dos jeitos de escrever é o mais velho.
Poesia anciã da palavra.
de forma que a poesia é dada a humildades.
                               importante são os modos de imaginar.

                Poesia é precisão
                como que de ar, água, comida e etc...
                é  ampliar-se na existência

                escutando o silêncio de si. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Lições poéticas

  As coisas que não levam a nada
   Tem grande importância
              Manoel de Barros – Matéria de poesia


...Quanto mais poesia há na vistas maiores se tornam as coisas pequenas.
Parece que a poesia tem assanhamentos pelas causas despercebidas...

 Houve um tempo que me fizeram crer que poesia era causa catedrática.
de métrica , rima, versos
era a poesia vestida de traje de gala.
( eu já queria tirar a roupa da poesia mas precisava de muito esforço pra desembrulhar)
 Nesse tempo achava que a poesia só olhava o importante.
tenho nada de importante.

Nem sei de quando começou
(vagas me lembram que foi lentamente)
a poesia foi afrouxando o traje de gala,
falando das coisas miudinhas,
vi tanta graça que fui arrebatado.

... pode ser a origem desses meus achamentos de poeta ...


sexta-feira, 13 de março de 2015

Domesticidades

Entre a mulher que sou
e a casa que se faz
há vagos de espaços
demoradamente preenchidos
como se tulhas fossem.
Ao fim do dia quando tu chegas

casa se aquece em branda chama.

  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...