segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sobre as secas e agostos


Agostos ácidos,
com a terra abrindo-se em veios,
colorindo o céu de ocre,
sob tempestades vermelhas.
O verde esmaecido,
Todas as naturezas derretem
na torridez do sol,
amarelos, roxos
irrompem por sobre o ocre,
em meio ácido.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Linguística


Eu trago uma língua que roça
a garganta,
consoante espremida pela glote
todas as vezes vibra no ar com mansidão
a língua roça;
por vezes volteia
faz tudo ficar assim miúdim...

A língua que roça
faz certos jeitos no sentir,
que se emaranhou em mim.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Fuga




Sobre a mesa,
Contas, extratos de banco, escritos, livros concretos, coisas inacabadas, deveres, listas,  tudo tão útil.

Na rua,
Volúpia poética
Coabitando com o inacabado.
em estado de euforia.

domingo, 24 de junho de 2012

A chave do jardim secreto


Perdi a minha chave? Durante esse primeiro semestre faço essa indagação, com alguma “estranhez” meu jardim secreto tornou-se inacessível. Então o mundo externo que tantas vezes é tão fatigante cresce em mim e aspira meu pequeno universo.
Em criança recordo-me do deslumbramento diante do livro grande com bordas douradas era a obra completa do Monteiro Lobato, carregava o bendito para todos os lados. O Sitio do Picapau Amarelo foi meu primeiro reino encantado, foi com ele que fui a Grécia e descobri que as estatuas tinham cor, assisti ao por do sol de trombeta e aprendi que todo o texto quando não sabemos mesmo como começar é só encher de seis grandes interrogações ( hoje compreendo que é a interrogação será sempre constante). Emilia, boneca meio gente, cedo compreendi que ela era o porta-voz do escritor oculto.
Depois do Sitio do Picapau Amarelo vieram outros reinos: O jardim secreto, País das Maravilhas, Terra do Nunca, Pais dos espelhos, As casas de Laura  Ingalls, o mundo de Sofia, a dor real de Annie Frankie e outros que minha memória desbotou seus tons.
 Revisitei Alice no País das Maravilhas a história é a mesma, mas os nuances são diferentes quando o olho amadurece é impossível não se admirar com a existência de um cogumelo que faz crescer e diminuir. Hoje percebo que na vida adulta as pessoas escolhem seus “cogumelos” vestindo seus tamanhos de pequenez ou grandeza e compreendo a extrema importância de se ter a medida exata. E o tic-tac do relógio do coelho a lembrar: estou atrasado... estou atrasado é sempre essa corrida maluca que nos propomos para dar conta das inúmeras exigências ( pagar contas, ganhar o dinheiro, ser bonito, inteligente, líder, estudar, trabalhar são tantos verbos).
Quando relembro a capacidade de admirar a fantasia não é em tom de escapismo é a certeza de que destituída da chave que abre o jardim secreto existo pela metade. E à medida que as exigências reais crescem mais a chave emperra na fechadura e o temor de que o reflexo do espelho seja a caricatura da mulher “ modus operandi” que nada admira, nada sente, nada vê, nada transforma, nada imagina é muda.
Já velha descobri o mundo de Nárnia meu atenuante no período “modus operandi” e com sintoma de mudez poética-patética. Impressiona a riqueza da descrição das terras narnianas e toda a alegoria utilizada pelo autor para falar de coisas de coisas tão complexas como o poder, tirania, antagonismo entre o mal e o bem, as trapaças em busca de poder (muitas vezes tomamos como o detentor do poder um burro travestido de pele de leão)[1]. Lewis em um texto final chamado Três maneiras de escrever para crianças discorre sobre os livros de fantasia e diz que ao final muitas vezes eles propiciam ao leitor a ampliação e compreensão dos sentimentos humanos para ele a fantasia perigosa é aquela superficialmente realista quando as histórias passam a tratar dos anseios puramente materiais ( enredos com  beldades, dinheiro etc.) estreitando assim a formação do caráter infantil.
Recuperar a chave perdida do jardim secreto será a missão particular porque é preciso adquirir novos sentidos sobre nossa humana condição.



[1]  Veja em a Última Batalha.

domingo, 17 de junho de 2012

domingo, 29 de abril de 2012

Seara do poema


(Para Diogo de Lima)

O poema é estado gestação,
Cresce por dentro...
Vagarosamente

            Cá dentro
            A matéria bruta
            e o intangível
            Transfiguram-se.
            Por inaptidão
            (das terminações nervosas)
            de apreender o sentido do óbvio,
           
o poema é a libertinagem das palavras,
e todo parto é contração dolorosa
(ainda que cheia de gozo)

            Após o parto pertence ao outro,
            libertino que é,
transfigura-se outra vez.


sábado, 7 de abril de 2012

Do entorpecimento da amizade

Do entorpecimento da amizade
[p/ Raquel Beatriz]

Algumas pessoas
Permanecem

com m smo súb to


qu esqu c mos

de quando
de quando
de quand?

o pr mei o

en ntro
 
 
ps::: presente meu em:::http://paulinhatavares.blogspot.com.br

  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...