quinta-feira, 5 de março de 2015

Pequena crônica poética – fluminenses

Primeiro foram os morros,
Insurgências do oco da terra,
os homens galgam os morros com as casas,
relações abstratas de apoio.
Alguns foram tingidos em cinza
outros, resistem ainda verdes.

Relevo de desenho pouco útil
| como viu Elizabeth Bishop|
De arredondados libidinosos

olho fica cheio de assanhamento.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Poeminha confessional

Ouvi a confissão de minha irmã
Pouco capturei desses algoritmos.

com o olhar cheio de compreensões mudas
laços familiares,
lhe digo que pouco tenho da rigidez do número.
Assombros vieram sempre das palavras.


Palavra é desdobrável. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Pequena crônica poética – a caixa amplificadora

Enxerguei os sons do brejo,
repositório orquestral...
 silêncios são faixas do inaudível.


Quando a luz do dia vai sumindo
volumes sonoros se abrandam.
Notas silenciais são agudas.


Desejos de guardar os sons,
como a concha guarda o som do mar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Dos traços paternos

Poucos traços seus 
Desenham os traços meus
Seus traços, sombras no meu rosto.

De herança,  os modos seus
 ao longe o sorriso frente a espera ansiada da menina, 
  [as mesmas banalidades invisíveis que tento capturar]
as quinquilharias são de grande estima 
para cada coisa uma história,
sentido dos objetos, alma de lugar.
[ teimo em diminuir minhas tralhas mas permanecem as coleções de papeizinhos                  avulsos por dentro dos cadernos de notas desimportantes] 
A música sua é avarandada para a rua,
busca de ouvintes, 
sua observância enxerga os gostos 
a marchinha do quarto centenário era do vizinho da esquina.
Pode ser o violão elegante
mas é sempre a sanfona que acende as almas.
            [ nenhum som amplifico. Música sua transformada em sentido de apreciação,
as modas sertanejas e a singeleza
formaram o território poético]

Os anos que passam em nós
aproximam os modos,
e se por vezes os modos meus são diversos
a matéria essencial é o modo seu.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Pequena crônica poética – a cidade que esmaece

Outra vez em dezembro:
dias alagados.
Os densos vapores esbranquiçados
cada vez mais pesados
 descem vagarosamente de altitude.
Em véspera natalina
pairam sobre a cidade que se torna esmaecida,
olhos identificam vagamente as coisas
apenas os piscas-piscas tremulam com vaga certeza.
[como faróis a luzir]
Lentamente os contornos nítidos retornam,
Mas ao forasteiros olhos, a cidade e os resquícios da pompa de outrora
serão cada vez mais esmaecidos pelos anos.

O azul-mar-nascente dos seus olhos,
Retém o passado.
[tão nítido].
Ouviria as suas falas por horas a fio.
Porque o tempo avoluma os pertences,
o azul-mar-nascente dos seus olhos
vai desligando o presente.

Outro dezembro 
por vezes dissolvo como torrão de açúcar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Instruções do olhar

Olhos poucos para grandezas,
miopia do olhar
adquirida em tenra idade.

Esses modos de ver
quando criança
criavam coisas cheias de mundos.

Inabilidades adultas
são efeitos colaterais.
Incuráveis.

A reta, curva, direita, esquerda, pontos cardeais
Poderiam indicar o caminho.
A flor abriu... Já não apreendo o mapa.

Ineficácia com objetividades,
Manuais práticos, essas coisas amplamente disseminadas.
pouco contidas em mim.




domingo, 7 de setembro de 2014

1.    Poesia é palavra cansada da rotina

2.     Poema fica dependurado
Suporte analógico ou digital
cada um põe o seu onde quer
[ no box do banheiro vira esmaecimento]

3.Poesia dependurada :
saldo devedor
atordoa .
Deito os olhos, ela chama
viro de lado, ela cutuca
nada pode contra.

4.  Origem da poesia:
não identificada.
Acontece da poesia solta na rua
passar perto,
ser capturada no papel.
[ sem nenhuma coincidência com a vida real]

5. Poeta é desenhista da palavra,
tentativa de colocar ângulos.
não percebidos.
palavra esboça coisas.




  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...