domingo, 2 de outubro de 2011

Ser- cuia

Sou cuia,
mulher cuia.

os anos amplificam meu estado côncavo,

em estado de quase transbordamento
somente o silêncio.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pequena crônica poética – a que vela a cidade

Homens ergueram com suas mãos grossas,
paredes sólidas... de pouco prumo,
de pouco esquadro,
há séculos velam a cidade.

Por dentro balbucios ecoam,
no silêncio,
paredes sólidas,
guardam a fé dos homens
há séculos.

Há séculos,
o mistério é o mesmo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pequena crônica poética – a cidade em mim

A cidade me habita, sou em suas ruas,
casas, recantos...
sou em seus gestos rotineiros,
|por isso o aceno para o senhor a tomar sol|
Todos os dias são de revelação.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Síndrome Abaporu

Algumas vezes eu sinto
minhas extremidades
agigantarem-se,
inchadas por uso,
reclino na fadiga
cheia de gratidão.

sábado, 9 de julho de 2011

Pequena crônica poética – sobre o reflexo

O olhar alheio

de natureza dúbia,

perpassa a carapaça.

E quando a imagem reflete na retina,

por poucos instantes perco-me

entre a pálida certeza do meu ser,

e a sombra no olho alheio.

Iminências de não caber no mundo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Pequena crônica poética – turvação atmosférica

Aqui há um rio,
a cidade passa pelo rio,

a manhã de julho
arrepia meus pêlos
os olhos se embaçam
na neblina ...
que pinta o rio no céu,
pintura que se sublima.
Espetáculo matinal.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Colóquio sobre o tempo

                                           (Para Patrícia)


Temo o tempo
Ladrão de minha feminina vaidade,
temo o tempo,
pelo constante atropelo,
temo o tempo,
pela fatalidade do senso comum
passa num piscar-de-olhos,
temo o tempo,
porque a elasticidade se esvai
mas dentro a dança é a mesma,
temo o tempo,
pela anestesia em minha memória,
temo o tempo,
por sentir a distância crescer
temo o tempo,
por tantas sofreguidões cotidianas
aspiradores de mim.
temo o tempo,
com o juízo sobre os verbos,
era, sou e serei.

Temo o tempo,
em oração.

  Congresso internacional das artes   Agora cantaremos o medo, porque não há mais rascunhos. Ninguém escreve em cadernos sujos, ne...