Aqui há um rio,
a cidade passa pelo rio,
a manhã de julho
arrepia meus pêlos
os olhos se embaçam
na neblina ...
que pinta o rio no céu,
pintura que se sublima.
Espetáculo matinal.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Colóquio sobre o tempo
(Para Patrícia)
Temo o tempo
Ladrão de minha feminina vaidade,
temo o tempo,
pelo constante atropelo,
temo o tempo,
pela fatalidade do senso comum
passa num piscar-de-olhos,
temo o tempo,
porque a elasticidade se esvai
mas dentro a dança é a mesma,
temo o tempo,
pela anestesia em minha memória,
temo o tempo,
por sentir a distância crescer
temo o tempo,
por tantas sofreguidões cotidianas
aspiradores de mim.
temo o tempo,
com o juízo sobre os verbos,
era, sou e serei.
Temo o tempo,
em oração.
Temo o tempo
Ladrão de minha feminina vaidade,
temo o tempo,
pelo constante atropelo,
temo o tempo,
pela fatalidade do senso comum
passa num piscar-de-olhos,
temo o tempo,
porque a elasticidade se esvai
mas dentro a dança é a mesma,
temo o tempo,
pela anestesia em minha memória,
temo o tempo,
por sentir a distância crescer
temo o tempo,
por tantas sofreguidões cotidianas
aspiradores de mim.
temo o tempo,
com o juízo sobre os verbos,
era, sou e serei.
Temo o tempo,
em oração.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Pequena crônica poética – canteiro
( Canteiro de obra como lugar cultivável ...sincero respeito
à todos que edificam e indignação compartilhada.)
Os olhos entupidos do todo dia,
da poeira, cimento e cal....
mãos obreiras
que lavram
o canteiro...
lavram com saber
testado e herdado.
Indigno-me das mãos obreiras
não adentrarem nos seus lavradios
quando na colheita.
obedecendo limites [in]visíveis.
Indigno-me com a cisão
da mão obreira com o fruto.
à todos que edificam e indignação compartilhada.)
Os olhos entupidos do todo dia,
da poeira, cimento e cal....
mãos obreiras
que lavram
o canteiro...
lavram com saber
testado e herdado.
Indigno-me das mãos obreiras
não adentrarem nos seus lavradios
quando na colheita.
obedecendo limites [in]visíveis.
Indigno-me com a cisão
da mão obreira com o fruto.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Pequena crônica poética – partitura musical
No oco da pausa musical
habita o silêncio,
a nota é figura
de vibração.
Lanço-me em seus antagonismos,
em íntimo gozo.
habita o silêncio,
a nota é figura
de vibração.
Lanço-me em seus antagonismos,
em íntimo gozo.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Objetos inexistentes – teoria das idéias
(Ao meu amigo Leandro )
Há o mundo das idéias,
suspenso ...
colóide que envolve
a pequenez do planeta Terra...
alastrando-se até o infinito,
então queria eu,
mergulhar a vara brilhante
pescador eu seria.
terça-feira, 10 de maio de 2011
( Retratos contados)
Mistério infantil
Meu pai me dizia:
- Fui um dia pegar girino
pra ver virar neném;
desapontado fiquei;
girino vira sapo.
Mas como fazia neném?
Por volta dos dezesseis; fui entendendo;
sobre o homem e mulher.
ps: um texto que encontrei em meus guardados... tem cheirinho de mofo!
Meu pai me dizia:
- Fui um dia pegar girino
pra ver virar neném;
desapontado fiquei;
girino vira sapo.
Mas como fazia neném?
Por volta dos dezesseis; fui entendendo;
sobre o homem e mulher.
ps: um texto que encontrei em meus guardados... tem cheirinho de mofo!
terça-feira, 3 de maio de 2011
Objetos inexistentes – fixador de atenção
Sinto que meus olhos
Despregam-se de suas obrigações,
Tantos estímulos,
Produzem aceleração do piscar.
Meu pobre olho
de natureza já titubeante
obrigado a este frenesi
de piscadelas
pouco captura.
Onde está o spray de atenção?
com efeito de descongestionante nasal.
Despregam-se de suas obrigações,
Tantos estímulos,
Produzem aceleração do piscar.
Meu pobre olho
de natureza já titubeante
obrigado a este frenesi
de piscadelas
pouco captura.
Onde está o spray de atenção?
com efeito de descongestionante nasal.
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