terça-feira, 5 de setembro de 2017

De Cortázar - esperanças

Tem dias de esperança
aquilo que passa por você.
Um sentir, de não estar.

Dias de esperança
são difíceis,
tudo fica ali no quase.
Quase feliz
Quase triste.

Dias de esperança
aquele mormaço.

Contemplar o vazio de si,
Esse silêncio.

Estados de latência.

sábado, 2 de setembro de 2017

Entre breve e longo

E tudo se vai?
e o que se quer segurar?
Estamos a ir,
tudo tão rápido
Só esse instante
que fica entre
            falas
            silêncios
            pausas
tão rápido
quando se quer parar o tempo.

O tempo do corpo
O tempo das coisas dentro da gente
antagonistas

Tão rápido
Tão suficiente.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Pequena crônica poética – sobre os lençóis

Paisagens mutantes,
vento e areia
minúsculos pontos brilhantes envolvidos num sopro.
Sopros e pontos brilhantes construindo relevos.
Lá do céu caem águas,
Enchendo os vazios brancos,
de azuis-verdes
Pode uma paisagem feita de morte ser bonita?
Manto branco encobrindo a restinga,
resistir à delicadeza voraz das areias dia após dia.
Além da imensidão branca...
um rio, graça da vida,
as gentes de lá, miram pra ele enamoradas.
Achei então que as gente de lá são assim banhadas de rio.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

brinquedos poéticos

É preciso ser meio partido
Pra gostar de brinquedos poéticos,
Parece que a poesia arruma jeito de emendar as coisas partidas da gente.
Por isso tenho medo de psicólogos ou essas ciências da mente,
metidos a inteirar as pessoas,
prefiro os remendos da poesia.

O mundo já tem muitas gentes inteiras.

Pequena crônica poética - entre o dia e a noite

É preciso sair das serras
Para me ampliar por esse chapadão
De um céu plano
onde o horizonte parece ainda mais longe
céu e terra se fundem.
Lá, as serras me roubam o breve momento entre dia e noite,
a noite chega abrupta.
Mas aqui, entre o dia e a noite
o céu vai se tingindo de cores
entre laranjas, azuis, vermelhos. Paleta inominável
Vou me despedindo do dia
até Deus apagar o último rasgo de luz.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Exercício urbano

Fui tomada pelo insano desejo de ver o chão,
difícil abaixar os olhos,
ensinar a métrica do chão
nesse olho tão viciado em céu.
chão moradia do invisível.

Foi pela métrica do chão
que enxerguei os pés.
Milhares deles por todos os cantos,
a natureza resoluta dos pés
|dúvida é pouco afeita ao chão|
Todos os dias pés cheios de pressa
travando lutas. É preciso caber o par.

A métrica do chão
é também para ouvidos.
Nas primeiras vezes pode ser necessário ficar de cócoras,
aprender a captar a frequência.
Com alguma prática
pode-se ouvir a caminhada dos pés,
cada tipo de chão
reverbera diferente.

Tive uma apoteose sonora,
pés em batidas harmônicas
ritmos de subidas e descidas
batuque do caminhar,
eu numa ausculta solitária
entravando o ir e vir.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tarde da noite,
resta enrolar as palavras
deslizar por entre os dedos;
expirar, gases linguísticos.

Pode dar poesia,
ou prosa?
prosa-poética?

Pode não dar nada,
só um trago de alívio.

De Cortázar - esperanças

Tem dias de esperança aquilo que passa por você . Um sentir, de não estar. Dias de esperança são difíceis, tudo fica ali no qua...