terça-feira, 10 de março de 2009

Casinha

Des-tra-me-lei
As portas...

Des-tra-me-lei
As janelas...

Tudo aberto.

Os retratos na parede
me espionavam,
Os enfeites de porcelana
sempre no mesmo lugar.
Era a sala de visita sem visita.

As camas de mola
Pula-pula, pula-pula...
Na noite sempre fria
Cobertas pesadas
daquelas tecidas no tear
(que sapecavam).
Estranhamente uma porta,
Nunca aberta... que dava para o quarto do padrinho.

O banco de madeira
Um dos primeiros trabalhos de papai
(repetidamente escutei essa história).
Por horas, ali sentados a conversar.

Gostava de andar por essa parte da casa,
O piso de madeira chiava....

Mas era na cozinha grande
com o fogão de lenha sempre aceso,
o cheiro de café e quitandas...
são tantos cheiros...tantos gostos
É onde sempre estava vovó...
tão pequena ...
com tanta vastidão ao seu redor.
Foi ela quem pos em minha mão
o pintinho-doente... para mim foi assombroso,
nunca conseguia pegar nenhum.
(tão macio)

O quintal era tão grande...
(ou me parecia)
Cenário de minhas brincadeiras.

Tra-me-lei
as janelas

Tra-me-lei
as portas.

Já não abrem mais.



2 comentários:

  1. Ooo q lindo.. q perfeito.. quase chorei neste .. Adorei..
    Bjo
    Fernando

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  2. Belo esse seu mundo.
    Sua habilidade poética com as palavras quase me transportou para um tempo de sua vida que nem sequer imaginavamos nos conhecer, a sua infancia suave.
    Parabêns, continue a lapidar esse talento.
    Super bjo de sua visinha de quarto mais chata uhsausuas, mas que te gosta muito.
    Carinhosamente
    Michelle Marques

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