terça-feira, 16 de maio de 2017

Exercício urbano

Fui tomada pelo insano desejo de ver o chão,
difícil abaixar os olhos,
ensinar a métrica do chão
nesse olho tão viciado em céu.
chão moradia do invisível.

Foi pela métrica do chão
que enxerguei os pés.
Milhares deles por todos os cantos,
a natureza resoluta dos pés
|dúvida é pouco afeita ao chão|
Todos os dias pés cheios de pressa
travando lutas. É preciso caber o par.

A métrica do chão
é também para ouvidos.
Nas primeiras vezes pode ser necessário ficar de cócoras,
aprender a captar a frequência.
Com alguma prática
pode-se ouvir a caminhada dos pés,
cada tipo de chão
reverbera diferente.

Tive uma apoteose sonora,
pés em batidas harmônicas
ritmos de subidas e descidas
batuque do caminhar,
eu numa ausculta solitária
entravando o ir e vir.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tarde da noite,
resta enrolar as palavras
deslizar por entre os dedos;
expirar, gases linguísticos.

Pode dar poesia,
ou prosa?
prosa-poética?

Pode não dar nada,
só um trago de alívio.

Mares brilhantes

Tudo chega tão rápido, Mares infinitos que se abrem por meio de telas brilhantes. Tanto mais eu nado, mais me afogo. Bits brilhantes de m...