sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Pequena crônica poética – a cidade que esmaece

Outra vez em dezembro:
dias alagados.
Os densos vapores esbranquiçados
cada vez mais pesados
 descem vagarosamente de altitude.
Em véspera natalina
pairam sobre a cidade que se torna esmaecida,
olhos identificam vagamente as coisas
apenas os piscas-piscas tremulam com vaga certeza.
[como faróis a luzir]
Lentamente os contornos nítidos retornam,
Mas ao forasteiros olhos, a cidade e os resquícios da pompa de outrora
serão cada vez mais esmaecidos pelos anos.

O azul-mar-nascente dos seus olhos,
Retém o passado.
[tão nítido].
Ouviria as suas falas por horas a fio.
Porque o tempo avoluma os pertences,
o azul-mar-nascente dos seus olhos
vai desligando o presente.

Outro dezembro 
por vezes dissolvo como torrão de açúcar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Instruções do olhar

Olhos poucos para grandezas,
miopia do olhar
adquirida em tenra idade.

Esses modos de ver
quando criança
criavam coisas cheias de mundos.

Inabilidades adultas
são efeitos colaterais.
Incuráveis.

A reta, curva, direita, esquerda, pontos cardeais
Poderiam indicar o caminho.
A flor abriu... Já não apreendo o mapa.

Ineficácia com objetividades,
Manuais práticos, essas coisas amplamente disseminadas.
pouco contidas em mim.




Pequena crônica poética – sobre os lençóis

Paisagens mutantes, vento e areia minúsculos pontos brilhantes envolvidos num sopro. Sopros e pontos brilhantes construindo relevos. Lá ...