quinta-feira, 28 de abril de 2011

Objetos inexistentes – alargador do tempo

O tempo tem atropelado
o corpo e a consciência
sinto falta da minha ignorância temporal,
em criança eu tinha um alargador de tempo
agora adulto com urgência
vejo que o perdi junto com
tudo que havia no faz-de-conta.

Os segundos
minutos,
horas,
semanas
meses
anos
escoam então
cada vez
mais
li-gei-ros
na ampulheta.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Objetos inexistentes - olfato

O olho olha,
A máquina rouba o olhar,
registra-o para além do tempo.

O nariz cheira,
Onde estão meus frascos de cheiros perdidos?
Memória olfativa.

Inspiro o mundo
Expiro o mundo
pra dentro das buretas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Lição de culinária – empadão goiano

Dentro ali da cozinha,
os odores fumegantes
nas panelas.
Alegria quente,
Alumbramento no mistério
de abrir a massa
(de farinha e água)

Forrar a forminha
(já de família)
rechear.
Alegria quente
Quando a mesa posta.

Agradecimento silencioso.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

As coisas que não pintei

“Oh, meu Deus”

No cansaço
Este silêncio cheio de tijolos.
Escapo por entre a fenda,

me dá pena não pintar
seriam azuis os girassóis.

Atravesso a fenda,
me canso de ser onipotente
no pequeno quarto.

Fico escutando borburinhos.

Lentes oculares

Poesia é coisa de dentro,

é sempre de pronome reflexivo,
prosa?
corre do lado de fora
usa binóculo.

Ainda uso somente óculos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pequena crônica poética - anúncio mortuário

            (da vigilante igreja)


Os alto-falantes amplificam

a sentença da mortalidade humana,

perturbo-me,
porque parte de mim compreende a finitude,
e a outra parte,
se cala perante o medo da dor.

De Cortázar - esperanças

Tem dias de esperança aquilo que passa por você . Um sentir, de não estar. Dias de esperança são difíceis, tudo fica ali no qua...